Os larps estão no RPG Grátis

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O RPG Grátis é um site novo que junta programas/roteiros/manuais/livros de “jogos de contar histórias de forma coletiva”: larps, story games, jogos narrativos, rpgs e sua parentela toda. Como seu sobrenome revela, todo o conteúdo lá é grátis. O rolê é simples: você navega entre categorias – status, gênero, subtipo, autor – e é direcionado para os links originais dos jogos, já disponibilizados 100% na faixa por seus autores.

Tem um número expressivo de larps meus que estão listados lá. Alguns habitam aqui nesse site, mas outros vivem flanados pela web, principalmente no site do Boi Voador. o RPG Grátis é a sistematização mais completa desses roteiros até agora!

Alguns outros autores já aparecem por lá também, como a Lívia Von Sucro, o Igor Moreno e o compa Luiz Falcão. Espero que cresça. Esse tipo de constelação sempre cabe no céu.

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Nostalgia

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Nostalgia é de 2014. Ficou na gaveta para ser um dos larps inéditos da coletânea 6 larps e uma provocação. O livro ainda não saiu – alô! alguém quer publicar? – mas os seis jogos foram realizados em sequência, ao longo de 12 horas, na Virada Cultural de São Paulo.

Essa semana ele volta ao mundo como parte do SPA – Seminário de Pesquisas em Andamento, que acontece na Escola de Comunicações e Artes da USP. Chris Martins, que passou 2017 pesquisando as baldeações entre larp e trabalho do ator, vai apresentar a linguagem para o público. Nostalgia foi o larp escolhido por ele para a viagem.

Gritando para ver a luz do sol, quem vai impedir o banho da aurora?

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Nostalgia

Nostalgia é um jogo para partilharmos nossas memórias. Não quaisquer memórias, mas aquelas que nos trazem ao mesmo tempo a alegria de poder contar com elas e a tristeza de saber terem ficado para sempre no passado. O número recomendado de participantes é 3-5 e vocês precisarão de canetas e alguns pedaços de papel.

Ao redor de uma mesa – de preferência com algumas bebidas – cada pessoa escreve uma memória nostálgica, uma lembrança verídica do seu passado que até hoje deixa saudades. A natureza ou o momento da recordação podem ser de qualquer tipo: um romance adolescente, os domingos maravilhosos na casa dos avós, uma noite de conversa com alguém que mudou para sempre sua vida.

É fundamental que essas memórias realmente tragam sentimentos mistos de alegria e tristeza, por isso, levem o tempo necessário para escrevê-las. Tentem redigir três ou quatro linhas, oferecendo alguns detalhes mas não se alongando muito. Além disso, não se revelem no texto como autores das recordações: escrevam em gênero neutro e não citem pessoas ou lugares que possam identificá-los. Um exemplo seria:

Aquele feriado mágico na casa da praia, junto do pessoal da faculdade, quando bebemos, cantamos, dançamos, acordamos tarde e vivemos como se fôssemos uma família. Aquele feriado mágico no qual eu me apaixonei pela primeira vez.

Em seguida, dobrem e embaralhem os papéis, colocando-os no centro da mesa. Então, alguém sorteia um deles e conta a memória aos demais, como se fosse sua. A pessoa deve preencher as lacunas do texto e detalhar a recordação, buscando que os sentimentos evocados pareçam verdadeiros e nostálgicos. Não há problema se alguém sortear a própria lembrança: simplesmente narre a história completa, acrescentando as passagens omitidas.

Quando acabar, a pessoa entrega o papel para o participante a sua esquerda, que também deverá apresentar a mesma memória como sendo sua, completando as lacunas do texto com suas próprias ideias. Repitam essa ação até que todos tenham contado sua versão da história.

Feito isso, a segunda pessoa que narrou a recordação pega um novo papel, reiniciando o processo. Quando todos os participantes tiverem contado todas as memórias, o jogo acaba. Fiquem cinco minutos em silêncio, tomando suas bebidas e pensando nas histórias que surgiram. Depois, conversem sobre a experiência. Não revelem uns para os outros de quem era qual memória. Agora, todas pertencem a cada um de vocês.

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A versão pdf do larp pode ser baixada aqui.