Nostalgia

images

Nostalgia é de 2014. Ficou na gaveta para ser um dos larps inéditos da coletânea 6 larps e uma provocação. O livro ainda não saiu – alô! alguém quer publicar? – mas os seis jogos foram realizados em sequência, ao longo de 12 horas, na Virada Cultural de São Paulo.

Essa semana ele volta ao mundo como parte do SPA – Seminário de Pesquisas em Andamento, que acontece na Escola de Comunicações e Artes da USP. Chris Martins, que passou 2017 pesquisando as baldeações entre larp e trabalho do ator, vai apresentar a linguagem para o público. Nostalgia foi o larp escolhido por ele para a viagem.

Gritando para ver a luz do sol, quem vai impedir o banho da aurora?

*  *  *

Nostalgia

Nostalgia é um jogo para partilharmos nossas memórias. Não quaisquer memórias, mas aquelas que nos trazem ao mesmo tempo a alegria de poder contar com elas e a tristeza de saber terem ficado para sempre no passado. O número recomendado de participantes é 3-5 e vocês precisarão de canetas e alguns pedaços de papel.

Ao redor de uma mesa – de preferência com algumas bebidas – cada pessoa escreve uma memória nostálgica, uma lembrança verídica do seu passado que até hoje deixa saudades. A natureza ou o momento da recordação podem ser de qualquer tipo: um romance adolescente, os domingos maravilhosos na casa dos avós, uma noite de conversa com alguém que mudou para sempre sua vida.

É fundamental que essas memórias realmente tragam sentimentos mistos de alegria e tristeza, por isso, levem o tempo necessário para escrevê-las. Tentem redigir três ou quatro linhas, oferecendo alguns detalhes mas não se alongando muito. Além disso, não se revelem no texto como autores das recordações: escrevam em gênero neutro e não citem pessoas ou lugares que possam identificá-los. Um exemplo seria:

Aquele feriado mágico na casa da praia, junto do pessoal da faculdade, quando bebemos, cantamos, dançamos, acordamos tarde e vivemos como se fôssemos uma família. Aquele feriado mágico no qual eu me apaixonei pela primeira vez.

Em seguida, dobrem e embaralhem os papéis, colocando-os no centro da mesa. Então, alguém sorteia um deles e conta a memória aos demais, como se fosse sua. A pessoa deve preencher as lacunas do texto e detalhar a recordação, buscando que os sentimentos evocados pareçam verdadeiros e nostálgicos. Não há problema se alguém sortear a própria lembrança: simplesmente narre a história completa, acrescentando as passagens omitidas.

Quando acabar, a pessoa entrega o papel para o participante a sua esquerda, que também deverá apresentar a mesma memória como sendo sua, completando as lacunas do texto com suas próprias ideias. Repitam essa ação até que todos tenham contado sua versão da história.

Feito isso, a segunda pessoa que narrou a recordação pega um novo papel, reiniciando o processo. Quando todos os participantes tiverem contado todas as memórias, o jogo acaba. Fiquem cinco minutos em silêncio, tomando suas bebidas e pensando nas histórias que surgiram. Depois, conversem sobre a experiência. Não revelem uns para os outros de quem era qual memória. Agora, todas pertencem a cada um de vocês.

*  *  *

A versão pdf do larp pode ser baixada aqui.

 

Advertisements

noite escura da alma

1

noite escura da alma é um larp para uma pessoa. Você é um escritor com uma doença terminal passando um dia de folga num lugar estrangeiro. É para ser meio vida real meio jogo.

A ideia inicial era um jogo sobre imigrantes no Brasil refletindo sobre seu trabalho. O larp ganhou vida, mas não tinha alma. Os jogadores ficavam trocando de personagem e comendo farinha, uma porcaria. Preferi um jogo sem vida, mas com alma.

Esse larp fecha uma trilogia que começou com Vamos conversar lá fora? e seguiu com andando na rua, sendo espancado. Aspectos formais e temáticos fazem uma unidade desses três jogos. Não são minhas obras-primas, mas lançam por aí umas provocações sobre a linguagem.

Os três foram escritos numa fase meio merda da coisa toda e não pretendo mais criar jogos desse tipo. noite escura da alma fica aí fechando as portas dessa escuridão toda.

noite escura da alma