HORA-EXTRA NO PEQUENO DEPÓSITO DE REFUGOS DOS HORRORES

Os operários do Criador, responsáveis pela “mão na massa” na hora de criar os seres vivos, acertam muitas vezes. Em algumas ocasiões, entretanto, a execução do projeto dá terrivelmente errado e ele não pode entrar na existência.

Quando está por perto, o Criador simplesmente desintegra o resultado tenebroso. Quando não está, os operários costumam guardar esses projetos num quartinho escuro, secreto e abandonado.

Nesse depósito, estão os horrores a quem foi rejeitado o direito de pertencer ao mundo. Toda sorte de bizarrice, monstruosidade e perigo está amontoado lá, pegando poeira e sem destino.

É noite de sexta-feira e todo mundo foi embora da fábrica. Menos um operário, Tarantão. É porque ele decidiu impressionar sua paixão, Talamita, mostrando os refugos do pequeno depósito.

OS PERSONAGENS

Um dos jogadores é Tarantão. Ele quer impressionar sua paixão, levando-a para ver as criaturas grotescas no depósito. Quer deixá-la assustada e mostrar que ele mesmo é criativo, esperto e não tem medo de nada.

O outro jogador é Talamita. Ele tem curiosidade para conhecer os refugos da criação. Tem várias perguntas, mas também tem receio do que pode encontrar lá atrás.

O JOGO

O jogador que é Tarantão leva o jogador que é Talamita para um espaço como o quarto da bagunça, a lavanderia, o almoxarifado ou simplesmente seu próprio quarto. Lá, começa a descrever os refugos a partir de sua imaginação, utilizando os objetos e mobiliários do lugar.

Quanto mais grotescas, improváveis e assustadoras as criaturas, melhor. Conte histórias do que fizeram, qual era o projeto original, quais seus “nomes de trabalho”.

Talamita observa o ambiente, faz perguntas, investiga, pede mais detalhes. Pode sugerir características e traços a partir do que despertar sua curiosidade. Quem sabe das criaturas é Tarantão, mas Talamita pode ajudar o outro jogador a criar os refugos também.

O jogo pode terminar de duas formas. Talamita acha tudo muito grotesco e pede para ir embora: “não era isso que eu tinha em mente para uma noite de sexta-feira!” Ou pode se impressionar decididamente com Tarantão, se declarar e dar-lhe um abraço: “você é realmente a pessoa mais corajosa que eu conheço.”

Fim do larp.

Para fazer o download da versão em .pdf clique aqui

(Se você gostou, dê uma olhada também em Os Anatomistas de Babel, de Ygor H. Speranza, uma das referências para esse larp. O jogo pode ser encontrado aqui.)

Excelência Overdrive

Excelência Overdrive [logo]

Uma pandemia tomou o planeta.
Quarentenas foram decretadas por todo o globo.
Comércio e indústria fechados, pessoas trancadas em casa.
Centenas de milhares morreram, economias foram estranguladas e a política estremeceu.

Está passando.

Em diversos países, o governo agora é outro.
Renúncia, impeachment, revolução ou morte levaram os velhos políticos.
Você é uma das novas lideranças globais, com a missão de traçar o futuro pós-pandemia.

Esse jogo é o encontro dessas lideranças na tentativa de uma agenda comum para a humanidade.

Online, é claro. Por enquanto.

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Um larp motivado pelo isolamento social e escritos de Bruno Latour. Disponível gratuitamente para download em dois formatos de edição.

Excelência Overdrive [fundo escuro]

Excelência Overdrive [fundo branco/texto corrido]

Arte contra nazi

Arte contra nazi é um projeto de combate ao nazismo, ao fascismo e à intolerância através da cultura.

Larp contra nazi é a parte que cabe ao larp nesse latifúndio.

BRIGADAS ANTI-NAZISTAS é um larp contra nazi.

BRIGADAS ANTI-NAZISTAS

1. Um nazista apareceu no bairro. Pode ser alguém com um discurso de ódio e preconceito, alguém com uma suástica no braço ou alguém imitando o ministro da propaganda nazista.

2. Vocês são integrantes da Brigada Anti-nazista do bairro e estão reunidos para elaborar um panfleto de alerta e defesa que será distribuído para os moradores.

3. O momento do jogo é a reunião e a criação desse panfleto. Vocês precisarão de folhas de papel e canetas.

4. Tudo é criado no improviso: quem são vocês, onde moram, quem é o nazista. Se alguém disser que ouviu o sujeito ouvindo Wagner na rua de trás, aceite isso como verdade e leve para o jogo. Se lhe chamarem de Renata, então seu nome é Renata.

5. Dois pontos merecem atenção nesse processo de criação improvisada e colaborativa:
(1) quem é o nazista e como ele se manifestou e (2) quais são as táticas e a experiência da Brigada.

6. Quando vocês finalizarem o panfleto, tirem cópias e distribuam pelo bairro mais próximo.

7. Fim do larp.

ARTE CONTRA NAZI

Os Parangolarps

Larp é live action role play. Ação viva + jogo com papéis.

Ação viva. Um gesto consciente e transformador. Um movimento intencional em direção ao mundo.

Jogo com papéis. Uma dança com nossas múltiplas identidades cotidianas. Uma torção, experimentação, subversão, maravilhamento. Sermos nós mesmos – mas diferentes.

E os parangolarps. A manipulação determinada dos papéis no microcosmo da ação, para recompartilhar as possibilidades do mundo.

As coisas como são agora não passam de uma das alternativas. O mundo – local e globalmente, ao toque ou de longe – pode ser diferente.

Parangolarps. Uma baldeação entre o larp, as obras de arte de vestir de Hélio Oiticica e as Zonas Autônomas Temporárias de Hakim Bey. Pelo rompimento das fronteiras entre jogo, arte, revolução e realidade.

O jogo, a arte e a revolução não como antíteses, mas como constituintes da realidade.

Porque a realidade como está aí é apenas uma das possibilidades da existência.

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Desde agosto de 2019, os parangolarps são espalhados em ônibus, trens do metrô, bibliotecas, bares e outros espaços públicos de São Paulo de maneira anônima.

São microrroteiros de ações que alteram de maneira sutil, mas contundente, nossos papéis cotidianos e nossas relações com os outros.

FEDERAIS: a chamada da pátria insultada

pf

FEDERAIS: a chamada da pátria insultada surgiu em 2017, a partir de uma conversa na cozinha do Luiz Falcão, entre nós dois e o Tadeu Barba Rodrigues. “Seria legal um larp de agentes batizando operações da PF” e tal.

Voltei para casa e passei uns dias cultivando a ideia, até uma primeira versão “nada de mais”, nas palavras do Falcão (ou qualquer coisa do gênero). Decidi deixar de ser preguiçoso e surgiu o larp como está aqui. Acabou misturando o humor da ideia inicial com um comentário sobre o momento político da época. Acho que ainda permanece válido, apesar das operações da PF terem saído do holofote e o facebook não ser tão envolvente quanto era.

FEDERAIS aconteceu uma única vez, ainda em 2017, numa edição do FERVO, que rolou na Funbox (agradecimentos grandíssimos ao grande Jaime Daniel Rodríguez Cancela, que nos recebeu tantas vez por lá!) e depois nunca mais. Gostamos do jogo, mas vieram outras coisas, prioridades e blá blá.

Por um obscurantismo do qual não me lembro, não disponibilizei o roteiro do larp. Pretendia fazer uma edição bonitona? Uma revisão de linguagem, mais acessível? A ideia era ficar escondido mesmo? Já passou.

Depois de quase 2 anos, finalmente deixo aqui o jogo, a pedido do Barba, que precisa citá-lo no seu doutorado. Causa chique.

O arquivo é o .pdf feito em 2017, usado para a realização no FERVO, sem trabalho gráfico ou ilustrações.

FEDERAIS – a chamada da pátria insultada

Aliens em Sorocaba!

Um dos movimentos mais legais da vida de um larp – falando do ponto de vista de um criador –  acontece quando ele voa das suas mãos e se materializa pelo trabalho de outras pessoas e em outros lugares.  Quem decide organizar o larp toma o roteiro pelas rédeas, como uma partitura, e faz sua própria versão deliciada de improvisos particulares.

Dessa vez, foi o mestre (logo logo doutor) Tadeu “Barba” Rodrigues que levou os alienígenas do Andarilho para um passeio por Sorocaba. O rolê aconteceu no campus da Universidade de Sorocaba (Uniso) por ocasião de um convite feito pela professora Míriam Cristina Carlos Silva para anunciar o evangelho do larp (nas palavras do próprio Barba) numa aula de Percepção e Criatividade destinada a estudantes de Design.

No roteiro original de Andarilho, o final do larp acontece com a gravação de um áudio relatando as experiências dos alienígenas na Terra. Em Sorocaba, o hack sensacional se deu com a transformação do áudio em ilustrações!

 

Aquele abraço p/ o Barba pelo corre forte e agradecimentos à professora Míriam e a Uniso pelos portais abertos!

Os larps estão no RPG Grátis

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O RPG Grátis é um site novo que junta programas/roteiros/manuais/livros de “jogos de contar histórias de forma coletiva”: larps, story games, jogos narrativos, rpgs e sua parentela toda. Como seu sobrenome revela, todo o conteúdo lá é grátis. O rolê é simples: você navega entre categorias – status, gênero, subtipo, autor – e é direcionado para os links originais dos jogos, já disponibilizados 100% na faixa por seus autores.

Tem um número expressivo de larps meus que estão listados lá. Alguns habitam aqui nesse site, mas outros vivem flanados pela web, principalmente no site do Boi Voador. o RPG Grátis é a sistematização mais completa desses roteiros até agora!

Alguns outros autores já aparecem por lá também, como a Lívia Von Sucro, o Igor Moreno e o compa Luiz Falcão. Espero que cresça. Esse tipo de constelação sempre cabe no céu.

Manifesto do Jeitinho Brasileiro

Começou como uma brincadeira, mas como brincadeira no larp é coisa séria, o Barba escreveu.

Foi na casa do Falcão, depois de algum larp (qual?), manifestando indignação meio-verdade, meio-galhofagem com a reivindicação dos italianos sobre o “jeito sulista”. Meio alto p/ ser o sul, né não?

De jeito para jeitinho foi só um-dois. Minha principal vírgula ao parimento do manifesto foi justamente o título. Jeitinho brasileiro é um mamute semântico que, na época, não me parecia adequado tim tim por tim tim ao que fazemos. Malandragem, malemolência, gatunagem? Oportunismo, espertalhismo e ladroagem? Mal-resolvido. A reivindicação nacional anda em tempos complexos hoje. É brasileiro ou simplesmente periférico? Ser brasileiro é necessariamente periférico?

O Barba, contudo, chapou na ideia e materializou em palavras tec tec de teclado. Fez um trabalho horrorduca. As referências tupiniquins ficaram massa e juntaram bem com todas as extrapolações daquela noite.

Concordo com muita coisa do texto consolidado, particularmente o “jogar para somar” (um desenvolvimento orgânico do ultrapassado jogar para perder e tão óbvio que nos fugiu por tanto tempo) e o lance da ocupação, que aparece no ponto 5 e anda atualmente derivando e baldeando forte aqui na cabeça (Andarilho, noite escura da alma). O rolê do toque é mais uma reação do que uma postura ativa, e acho que vale mais debateboca sobre isso. Como exatamente atacamos o contato físico? Como fazemos dele ativação e jogo?

O texto do Barba, no junto do complexo, já me nasce histórico. No sentido de capítulo e marco. É o primeiro manifesto arremessado dos trópicos (1), no momento em que as espadas de espuma e as orelhas de elfos se erguem em colosso impávido nas terras do Ipiranga (2) e a iconofagia deglute o larp estrangeiro (3)  – quando o quarteirão do larp blockbuster será arrasado?

É o contraponto, o peito jogado para trás seguido do giro de quadril e a patada com o calcanhar do capoeira. É o o truco, em português, italiano e english: Ei, brasileiros, esse é o larp que importa por aqui! Ei, italianos, tem mais sul além do Mediterrâneo? Ei, friends, alguma coisa não tá podre pra cacete na social-democracia da Dinamarca?

Ah, e o trabalho gráfico do Falcão com as ilustras do J. Carlos são de torcer o rabo do bonobo também!