Café Amargo – Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga [fotos]

Em 3 de julho, Café Amargo abriu o Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga, uma realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Confira as fotos:

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Todas as imagens por Paulo Renault.

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Ciclo de iniciação ao larp no SESC Ipiranga!

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Nessa sexta-feira, 3 de julho, começa um ciclo de iniciação ao larp no Sesc Ipiranga, realização do NpLarp a convite da Confraria das Ideias. Serão 4 encontros de apresentação, vivência e discussão da linguagem. Oportunidade ideal tanto para descobrir, na prática, o que é larp quanto para conhecer novos jogos e temáticas.

O ciclo abre com Café Amargo, um larp de minha autoria sobre despedidas e a importância do outro em nossas vidas. Os encontros são gratuitos e acontecerão sempre das 19 às 22 horas. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822.

As datas e larps programados seguem abaixo:

3/7 – Café Amargo
17/7 – Álcool
24/7 – Três homens de terno
31/7 – Monstros

Grandes agradecimentos ao companheiro Luiz Falcão pela arte do cartaz! =)

Nunca sei seu olhar – Segredos do preparo de Café Amargo #2

A inspiração temática de Café Amargo (que acontece na próxima sexta-feira em São Paulo) veio de um conto que escrevi no início de 2011 e que, por sua vez, foi baseado numa história real. Nunca sei seu olhar faz parte de uma série produzida entre 2009 e 2011, publicada parcialmente na internet e em jornais universitários. Apesar de não ser a única referência para o larp, com certeza é sua principal base.

Nunca sei seu olhar

Pedi um café expresso, ela me acompanhou e comecei a falar tudo de mim, pra não ter que ouvir nada dela. Oito meses desde o último olhar: seus cabelos compridos, o sapato novo, a mesma bolsa grande demais. De mim, dei conta de menos cabelos, mais olheiras e algumas feridas cicatrizadas. Talvez.

O rancor era meu, projetado como raiva pra obliterar a dor. Mas o telefonema não foi, confirmando, depois de tanto tempo, que eu ainda precisava dela pra enxergar minha babaquice. Fui pensativo, olhando pros lados, implorando com meus gestos pra não saber do novo namorado, da viagem pra Europa ou de qualquer outra memória na qual eu gostaria de estar. Ela foi desarmada, e sua falta de vontade de me machucar destruiu qualquer resistência.

Não tocamos no assunto, embora eu tivesse estudado as palavras por todo o caminho. Não significava mais saber os motivos daquele convite, não me traria nada além da tristeza do passado. Diante um do outro, os vapores do café subindo entre nós, era como se apenas o presente merecesse existência e toda referência viesse apenas destruir aquele tênue equilíbrio entre palavras e olhares.

O dela não me dizia nada. Ou melhor, mostrava uma ternura que eu não entendia, ou não queria aceitar. Talvez um convite à amizade ou uma saudade tímida pra sair em palavras. Uma bondade sem dar muita relevância a quem se dirige. Talvez a certeza de estar elaborando um ponto final agradável pra nossas memórias. Eu achava tantos reflexos das minhas inseguranças em seu olhar que acabava, como havia sido desde o começo, sem saber nada do que eles queriam me falar.

Ficamos juntos por duas horas, até que não suportei um silêncio mais prolongado – não queria perguntar nada e ela já não tinha coisa alguma que desconhecesse dos meus últimos oito meses. Levantei e conheci mais uma vez a gentileza de lhe pagar a conta, ao mesmo tempo em que tive certeza de termos enterrado toda possibilidade da sombra do passado nos alcançar. Pra ela, estava agradável assim.

Sob um céu sem estrelas, ela sorriu sem o coração, e disse pra ligar quando quisesse fazer alguma coisa. E então se foi no terceiro ônibus, depois que lhe convenci não fazer sentido esperar que eu embarcasse primeiro. Fiquei por ali, sentindo o abraço do sódio que ilumina a cidade e cantarolando aquela canção de amor.

Segredos do preparo de Café Amargo #1

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Olá!

Café Amargo, larp que acontecerá nos próximos dias 12 e 19 de dezembro no Ateliê Compartilhado – Casa Amarela (saiba mais aqui), dá continuidade a algumas pesquisas iniciadas em Ouça no Volume Máximo (não sabe do que estou falando? Clique aqui). Gostaria de comentar sobre três aspectos dessa caminhada pela linguagem do larp.

Em primeiro lugar, Café Amargo aprofunda a busca por temáticas cotidianas, próximas das experiências de vida dos participantes. Indo na contramão do fantástico e do excepcional, que caracterizam a maior parte dos larps realizados no Brasil, Café Amargo aborda um assunto rotineiro – separações – e incentiva a criação de situações familiares ao grupo. Apesar da estrutura aberta do larp até mesmo permitir o surgimento do fantástico, ele não faz parte de sua essência.

De certa forma, isso já aparece em Ouça no Volume Máximo. O fantástico é retirado de cena – não temos seres mitológicos, monstros, experiências sobrenaturais ou extraordinárias – e os personagens são pessoas normais, com histórias de vida e relações interpessoais que, apesar de incomuns, já vimos acontecer. Contudo, o que Café Amargo faz é dar um passo além. A fantasia dos astros da música e o atrativo de ser alguém “mais interessante” do que você são deixados de lado, e os participantes podem se concentrar na vivência das separações.

O segundo aspecto envolve o controle temporal do jogo. Em Ouça no Volume Máximo há um elemento externo – o alarme sonoro – avisando os participantes do final do larp. Ainda que incorporado na diegese – um dos personagens usa o alarme para indicar que precisa ir embora – ele não é controlado pelo grupo e não dialoga com o andamento do larp: a reunião é encerrada a qualquer momento, desconsiderando o ritmo do jogo.

Em Café Amargo, por outro lado, os próprios participantes determinam o fim das cenas, através do café. Isso entrega a eles o controle do fluxo narrativo, podendo criar e organizar os desenvolvimentos, clímax e conclusões em cada história de separação. Uma realização de Café Amargo pode durar 15 minutos ou se estender por 5 horas, de acordo com o interesse dos participantes e o desenrolar das cenas.

Finalmente, Café Amargo procura concentrar-se ao máximo no momento exato do jogo. Partindo da visão de larp como o que acontece quando os participantes estão, efetivamente, representando seus personagens uns com os outros, Café Amargo busca eliminar tudo que é desnecessário e não corresponde à representação em si. Com isso, estou me referindo a fichas de personagens e enredos pré-estabelecidos.

Ouça no Volume Máximo apresenta uma estrutura vaga, repleta de lacunas para se preencher durante o jogo. Todos sabem que estamos no reencontro de uma banda, mas qual é essa banda, o que aconteceu durante sua existência e como ela acabou devem surgir durante a representação. Da mesma forma, os participantes iniciam o larp sabendo apenas qual instrumento seu personagem tocava e se ele está disposto a voltar ou não. Tudo mais deve surgir no improviso, no jogo com o grupo.

Café Amargo vai mais longe. Retira essa estrutura ficcional – a banda de sucesso que se reencontra – e fica apenas com uma sugestão de acontecimento – um café de despedida. Leva embora também o máximo de informações prévias sobre os personagens, deixando somente o dado de que a relação entre eles deve ser significativa o bastante para que a notícia da despedida não seja um acontecimento trivial. Assim, concentra os participantes no momento exato do larp e, ao mesmo tempo, entrega a eles de maneira radical a responsabilidade pela criação dos personagens e de suas relações. Agora, eles não estão mais improvisando sobre uma partitura, mas criando-a enquanto representam.

Por enquanto, é isso. Na próxima postagem, mais segredos do preparo de Café Amargo, incluindo a íntegra de “Nunca sei seu olhar”, conto que inspirou o larp. =)

Café Amargo em São Paulo

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Encerrando o calendário 2014, dezembro vê nascer duas realizações de Café Amargo, dias 12 e 19, às 20 horas, no Ateliê Compartilhado – Casa Amarela. Depois de ter passado pelo Japão, Suécia e Sorocaba, o larp volta à São Paulo, organizado pelo próprio autor.

Café Amargo é um jogo de representação sobre despedidas e a importância do outro em nossas vidas. Durante o larp, os participantes vivem histórias de separação, acompanhados de xícaras de café, abandonando e sendo abandonados uns pelos outros.

Resultado de pesquisas no larp nórdico e nos poemas de representação, Café Amargo foi realizado pela primeira vez em 30 de julho de 2013 no labLARP, em São Paulo. Seu roteiro de aplicação pode ser encontrado na revista Mais Dados e aqui no site. O larp possui também uma versão em inglês – Bitter Coffee – disponível na página do NpLarp.

O evento é gratuito e não é necessária experiência prévia com larp. Recomenda-se chegar com 30 minutos de antecedência. Após o jogo, será passado o chapéu de arrecadação de fundos para a Casa Amarela.

O Ateliê Compartilhado – Casa Amarela fica na Rua da Consolação, 1075. Até lá!

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CAFÉ AMARGO
12 e 19 de dezembro
sextas-feiras, 20 hs
Ateliê Compartilhado – Casa Amarela
Rua da Consolação, 1075

Larp na Revista Mais Dados

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Já está disponível a primeira edição da Revista Mais Dados, publicação acadêmica da ONG Narrativa da Imaginação, sobre larp, rpg, jogos de tabuleiro e cartas.

E a edição de estreia traz os roteiros de aplicação de dois larps criados por mim – Café Amargo, realizado em 2013 no labLarp, e Álcool, aplicado este ano no Fantasy Arts de Sorocaba e no Laboratório de Jogos de Belo Horizonte.

Além dos roteiros, a revista ainda traz o excelente artigo “Novos sabores no larp brasileiro: da coca-cola à caipirinha com gelo nórdico” de Luiz Falcão, publicado originalmente no The Cutting Edge of Nordic Larp, livro oficial do Knutpunkt 2014.

Para acessar a revista, clique aqui.

Listen at the Maximum Volume and Bitter Coffee!

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Olá! O NpLarp – núcleo de pesquisa em live action roleplay publicou essa semana as versões em inglês de Ouça no Volume Máximo e Café Amargo, dois jogos que já apareceram por aqui. As versões têm em vista o Knutpunkt 2014, maior conferência internacional do larp, que começou dia 3 de abril na Suécia. O Wagner Luiz Schimt está lá no evento e levou os jogos para apresentá-los à comunidade internacional.

E não são apenas os jogos que estão cruzando fronteiras. No The Cutting Edge of Nordic Larp, livro do Knutpunkt 2014, há um artigo do Luiz Falcão sobre a cena brasileira. “New Tastes in Brazilian Larp”, faz um apanhado histórico da linguagem desde os anos 90, indicando grupos e influências e chegando aos mais recentes projetos e pesquisas feitos por aqui. Leitura indispensável!

Nisso tudo, registro meus agradecimentos ao Wagner Luiz Schimt e ao Luiz Falcão pelos trabalhos de produção e divulgação e ao Tadeu Andrade e Estéfano Vitagliano pelas traduções. Sem a contribuição de vocês essas linhas não estariam sendo escritas.