Jesus Cristo Cupcake – Sesc Ipiranga [22/1 – São Paulo/SP]

cartaz-jesus-cristo-cupcake

Jesus Cristo Cupcake é um larp sobre descrença e o século 21. Um dos personagens encontrou o Messias e recebeu um chamado. O outro vai ouvir em primeira mão o testemunho dessa revelação. Do encontro, surgem nossas ideias e questões sobre fé, crença, espiritualidade e o tempo em que vivemos.

Elaborado em 2014 e realizado no Centro Cultural São Paulo (desde então o larp nunca mais foi organizado – pelo que eu saiba), Jesus Cristo Cupcake surgiu da vontade de explorar as possibilidades de um tema sempre em pauta, mas amplamente considerado impossível, improvável ou longínquo – a volta de Jesus Cristo. Sem atrelar uma religião específica e longe de ter caráter evangelizador, o larp se debruça sobre os aspectos culturais da questão e sobre a espiritualidade individual (ou ausência dela).

Na forma, Jesus Cristo Cupcake buscou estudar formatos mínimos da linguagem do larp, junto com uma nascente preocupação com o corpo em jogo (essa preocupação daria origem mais tarde a trabalhos como monstros e Último dia em Antares).

Para a programação TERRITÓRIO LARP do Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Ipiranga a ideia é explorar também a reaplicabilidade do larp, com a vivência de diversos papéis dentro do mesmo jogo. Com duração sugerida de 15 minutos, a perspectiva é que Jesus Cristo Cupcake seja jogado várias vezes pelos participantes no dia 22.

TERRITÓRIO LARP acontece durante janeiro e fevereiro, a cada 15 dias, sempre aos domingos e com um jogo diferente, gratuito e aberto ao público. O primeiro foi Ajuste os controles para o centro do sol, no dia 8.

Jesus Cristo Cupcake é nesse domingo dia 22, a partir das 14h. A participação é gratuita e não precisa de inscrição, é só chegar no horário.

Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822 em São Paulo/SP.

Advertisements

Ajuste os controles para o centro do sol – Sesc Ipiranga [8/1 – São Paulo/SP]

prototipo-cartaz-ajuste-os-controles

Ajuste os controles para o centro do sol é um larp sobre uma missão espacial que se desvia da rota e acaba do outro lado do universo, a um século de distância de casa e do seu objetivo. É a história de uma viagem que levará a vida inteira e na qual os signos do fracasso e da vida perdida assombram os tripulantes por décadas.

Durante o larp, os participantes criam todo o cenário no qual a história se passa, elaborando as mudanças na política, na sociedade e na tecnologia. Também de maneira colaborativa, criam os personagens que farão parte da história.

No enredo, o larp busca inspiração em obras como 2001: Uma Odisseia no Espaço (o livro também!), o filme Europa Report, a série de tevê Ascension e toda a sorte de narrativas sobre viagens espaciais transgeracionais.

Já na estrutura, Ajuste os controles para o centro do sol dialoga com rpgs e jogos de tabuleiro, ao mesmo tempo em que continua a pesquisa no aprofundamento da construção colaborativa da experiência no larp.

O primeiro teste do larp aconteceu em outubro de 2016, durante a Oficina de Jogos Narrativos do companheiro Tadeu “Barba” Rodrigues, lá no Sesc Sorocaba. Depois, veio para São Paulo integrar a programação do FERVO de novembro, realizado num boteco da cidade.

Agora, Ajustes os controles para o centro do sol abre a programação TERRITÓRIO LARP, que vai levar ao Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Ipiranga quatro larps elaborados por mim. Durante janeiro e fevereiro, a cada 15 dias estarei por lá aos domingos realizando um jogo diferente, sempre gratuito e aberto ao público.

E para deixar a programação do começo de ano ainda mais bacana, a Confraria das Ideias também estará no Sesc Ipiranga com Jogo Paranoide, um larp sobre mistérios, os anos 60 e é claro, paranoia. Os confrades fazem 3 encontros, intercalados com a programação do TERRITÓRIO LARP.

Ajuste os controles para o centro do sol é nesse domingo dia 8, a partir das 14h. A participação é gratuita e não precisa de inscrição, é só colar no horário.

Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822 em São Paulo/SP.

Ouça no Volume Máximo na Funbox [14.12.2016]

_MG_2413.JPG

Sumido, né?

Voltando com atualizações dos acontecimentos em larp. =)

Quarta-feira passada, 14 de dezembro, realizei o Ouça no Volume Máximo na Funbox Ludolocadora, no bairro da Saúde, em São Paulo. O evento marcou a chegada do roteiro do larp por lá. Se você mora em São Paulo e quiser adquirir um exemplar da versão fetiche do Ouça no Volume Máximo, agora pode encontrar na Funbox.

Na boa tradição de hackear os larps, fizemos um jogo com oito participantes – o roteiro indica até sete pessoas. A banda concordou em trocar mensagens por whatsapp e marcar um churrasco para, quem sabe, fazer um som. Rolou uma sessão de fotos ao final e acho que dessa vez a Ouça no Volume Máximo volta.

Agradecimentos aos parças de banda – Augusto Manzano, Daniel Vas, Jorge D’Angelo, Leandro Godoy, Lucas Hideki, Luiz Falcão, Tadeu “Barba” Rodrigues – ao Jaime Daniel Cancela pelo espaço, confiança e parceria, à Bia Mazzaropi, Eduardo Garcia e Tiago Campanário Braga pelos registros em vídeo e foto e ao Rafael “Raca” Carneiro Vasques pela participação especial.

_MG_2377.JPG

Fotos por Tiago Campanário Braga.

Não existe fim do mundo para quem já foi embora – Último dia em Antares no CCJ [22.10.2016]

SAMSUNG CAMERA PICTURES

Antares explodiu. A estrela cresceu inexoravelmente e consumiu a família que buscava paz. Deitados, aconchegados, buscando afetos. Termina assim, com amor.

Depois de realizar Último dia em Antares na Residência Leste, me juntei ao Luiz Falcão para fazer a versão Boi Voador do larp. Assim como foi feito em 2015 com monstros, partimos da premissa de não alterar o enredo do jogo, mas de retrabalhar sua montagem. Figurino, sonoplastia, iluminação e cenografia seriam passados em revista, buscando potencializar certas vivências ou criar novas dimensões para os participantes.

O larp começou com uma série de exercícios preparatórios para o corpo e para o estado de espírito, desnaturalizando os gestos e buscando novas formas poéticas de expressão. A partir das sugestões dadas pelos participantes de Itaquera, acrescentamos também novos exercícios voltados para a reflexão sobre a morte.

SAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURES

Os personagens foram construídos com ênfase no trabalho corporal e na relação do jogador com a roupa. Exercícios já com o figurino estimularam os participantes a sentir a modificação nos movimentos e a jogar com ela, imprimindo as características dos personagens nos próprios corpos.

SAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURES

Dessa vez tivemos todos os 7 personagens em jogo e pudemos ver como os corpos mais libertos da criança e da adolescente criaram dinâmicas diferentes com o espaço e com os outros membros da família. Em Itaquera esses dois personagens ficaram de fora.

Quando os personagens estavam rascunhados, os participantes fecharam os olhos e buscaram a conexão. Ao abri-los novamente, se viram  iluminados apenas por leds azuis e na companhia de duas fracas lanternas artesanais.

SAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURES

Enquanto o jogo avançava, luzes vermelhas foram crescendo progressivamente, acabando por banhar todo o espaço. Ao mesmo tempo, as cadeiras iam sendo arrastadas para dentro do espaço, diminuindo paulatinamente a área dos jogadores. As luzes azuis dos leds iam caindo e se apagando com essa movimentação. Além das cadeiras, a cenografia contou com um novelo de lã suspenso e alguns travesseiros.

SAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURESSAMSUNG CAMERA PICTURES

A sonoplastia também sofreu alterações significativas em relação à Itaquera, com o trabalho de sobreposição de trilhas na faixa de abertura e a inclusão de um tema de transição antes da trilha de encerramento, que foi substituída. (Aliás, o tema de encerramento foi assunto de uma boa conversa ao final do larp, sendo questionado sobre seu sentido e diálogo com a situação dos refugiados.)

Último dia em Antares 30.JPG

Último dia em Antares cresceu muito de uma montagem para outra. Pudemos usar um espaço com blackout, o que viabilizou trabalhar a iluminação dos canhões de luz e das lanternas. Tivemos também mais tempo para os exercícios de preparação e montagem do figurino e isso apareceu de maneira muito clara nos corpos em jogo.

Na conversa pós-larp, além da discussão sobre a música de encerramento, tivemos também um questionamento sobre a forma de sair da experiência. Foi apontado que o larp terminou de maneira abrupta e que a carga emocional construída desde a preparação pedia um processo de “volta ao cotidiano”. Como uma seta certeira. Um ponto que merece um pensamento generoso no futuro.

[todas as fotos por Luiz Falcão]

Último dia em Antares no CCJ – 22/10

antares-saga5

Vamos viajar mais uma vez para Antares!

O Boi Voador realiza no sábado, 22 de outubro, o Último dia em Antares. Dessa vez, o companheiro Luiz Falcão se junta de maneira ostensiva no trabalho, para a gente dar a visão bovina de Antares.

A ideia é recriar vários aspectos da cenografia, figurino, iluminação e sonoplastia do larp, trabalhando com o conceito de “mesmo texto, montagem diferente”. O enredo, os personagens e as dinâmicas serão as mesmas, mas nossa vontade agora é retrabalhar uma série de elementos, experimentando novos estímulos para os participantes.

Para quem chegou agora aqui no site, Último dia em Antares apresenta a história de uma família de refugiados da guerra que acaba indo parar num planeta desolado prestes a desaparecer na explosão da estrela Antares. O momento do larp corresponde aos últimos minutos de existência daquela família, que fugiu da guerra, mas não da morte.

Último dia em Antares é fruto de um processo de residência realizado no Sesc Itaquera. Ao longo de setembro, fui pesquisando referências de óperas espaciais, do trabalho do encenador polonês Tadeusz Kantor e do coréografo e bailarino japonês Kazuo Ohno para criar um larp focado no corpo. Durante o jogo, não existe comunicação pela palavra falada e os participantes se relacionam através dos gestos, do toque e do olhar.

O larp acontece a partir das 21 horas do sábado, 22/10, no Centro Cultural da Juventude, o CCJ. A participação é gratuita e as vagas limitadas. Para se inscrever, é só enviar um e-mail para boivoadorlarp@gmail.com.

O Centro Cultural da Juventude fica na Avenida Deputado Emílio Carlos 3641, na Vila Nova Cachoerinha, em São Paulo SP.

Um abraço pro Falcão – Residência Leste [29.9.2016]

Antares aconteceu e a estrela explodiu. Tudo ao redor foi consumido e eu quase fui também. O processo foi maravilhoso: a intensidade da pesquisa, o avanço nas experimentações com a linguagem, o trabalho completamente inédito para mim de abrir a criação e dialogar com o público. Antares deu muito certo.

Temos uma material para avançar nos trabalhos do “larp fisíco” e levamos a pesquisa para construção do larp até lugares por onde nunca viajamos. Kantor, Ohno, Moebius. A articulação das referências apareceu ora com sutileza e ora escancarada. A vontade de aplicar as ideias de Kantor, e não só sua poética, aconteceu. O corpo alterado e desnaturalizado surgiu na junção da vontade dos jogadores com os figurinos, dialogando com Ohno – e grande parte dessas ideias veio das conversas na residência! As referências das space operas surgiram também no enredo, nos figurinos.

O larp acontecendo foi instigante. Ver a entrega dos jogadores, a função das cadeiras criando o fim, as tentativas de diálogo sem fala. Existem apontamentos para o futuro, seja de Antares ou dos próximos trabalhos. Melhorar a preparação dos participantes encarnando os personagens talvez seja o item fundamental. Um aquecimento potente acabou perdendo muito de sua força por falta de entrosamento com os figurinos e uma recomposição dos corpos.

Por outro lado, a narrativa surgiu. Em 30 minutos – tempo considerado ideal pelos jogadores – a família viveu o fim, se despediu, se libertou. O larp é a arte do encontro e houve encontro. Quando todos começaram a tirar as roupas-que-limitavam e esvaziaram a boneca-que-era-o-bebê deixando seu peso escorrer pelo chão, eu vi que havia acontecido.

Antares, o processo, a residência, foi ótimo, companheiro.

O que vem a seguir? Uma viagem para o sol e uma vontade de multiplicar os peixes. =)

O Fim – Residência Leste [22.9.2016]

14391001_533066940231817_5761551188964828821_n

Dada a correria que tomou conta da existência nos dias que antecederam Antares, um relato tardio. O larp aconteceu ontem. Estão todos bem e vivos, apesar da ficção. Retomo algumas impressões, agora mais enevoadas, do penúltimo dia da residência, o último dia da preparação. Falta frescor, mas acho que a sensibilidade das impressões ajuda. Vamos lá que a estrada continua.

Na quinta-feira som e luz. Grata surpresa chegar no Sesc e ter a sala onde o larp aconteceria disponível. Passamos a tarde fazendo experimentações com cenografia e testando iluminação. Foi nesse momento que se definiu o espaço para Antares, com aquela magia das soluções que surgem depois de muito trabalho na cabeça e parecem estalos momentâneos. As cadeiras no espaço, que não poderiam ser retiradas. Primeiro um problema, depois uma referência gritante de Kantor e um marcador bem satisfatório da área de jogo. Não queria usar a sala toda, mas demarcar um espaço de atuação para os jogadores, na busca por uma atenção menos dispersa com os elementos contemporâneos do espaço que não poderiam ser eliminados (cortinas, projetores, portas). As cadeiras não só criaram o círculo, mas suportaram as luzes do larp. Próximo parágrafo.

Na quinta-feira uma tarde ensolarada. Percebemos que seria inútil iluminar o espaço. As luzes não entrariam nessa função. Elas se tornariam um elemento cenográfico também. O ETA dispunha de uma série de lâmpadas led que poderiam criar caminhos, pontos focais… ou estrelas no firmamento. Testamos pequenas luzes azuis nas cadeiras e o resultado foi bonito, significativo e potente.

Levamos para o espaço grandes pedaços de madeira que chamaram atenção pelo tamanho e peso. A manipulação das peças me pareceu interessante para os corpos e havia certa estranheza nas escalas demarcadas pelas madeiras. Entraram. Seriam o elemento indefinido para criar o cemitério: destroços, restos mortais de gigantes, lembranças ampliadas dos queridos que passaram? Deixar em aberto sempre foi a direção a seguir. Assim foi feito.

Essa configuração mostrou que a ideia de um tecido cruzando o espaço para ser a estrela Antares se aproximando não se realizaria. Não havia tempo, não havia teste, não havia soluções eficientes e ágeis para suportar o peso dos tecidos. As luzes azuis no firmamento de cadeiras explodiu a ideia nova. Durante todo o larp, substituir as lâmpadas azuis por vermelhas, pontuar a chegada inexorável de Antares. E mais, empurrar as cadeiras para o centro a cada troca de lâmpadas, reduzindo o espaço dos jogadores. Mais um quê de Kantor: a presença em cena do organizador, interferindo no jogo entre os participantes, um elemento estranho à ficção. Ready-made.

O espaço apareceu, enfim. Tínhamos o círculo de jogo, Antares em expansão e o cemitério. Sabíamos como utilizar as luzes. Voltamos ao ETA e nos jogamos no som.

Apresentei alguns áudios de tambores japoneses, na perspectiva de diálogo com o butô. Surgiu Morton Feldman e deixamos alguns trabalhos rolarem. Rothko Chapel me chamou atenção logo de cara. Atmosfera e duração casavam com minhas intenções. Dias depois, conhecendo a história da composição, da capela e do artista que a nomeia, se confirmaria dentro do larp.

Fim da parte 1 do final.

*relato escrito ao som de Milagres dos Peixes, Milton Nascimento.