FEDERAIS: a chamada da pátria insultada

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FEDERAIS: a chamada da pátria insultada surgiu em 2017, a partir de uma conversa na cozinha do Luiz Falcão, entre nós dois e o Tadeu Barba Rodrigues. “Seria legal um larp de agentes batizando operações da PF” e tal.

Voltei para casa e passei uns dias cultivando a ideia, até uma primeira versão “nada de mais”, nas palavras do Falcão (ou qualquer coisa do gênero). Decidi deixar de ser preguiçoso e surgiu o larp como está aqui. Acabou misturando o humor da ideia inicial com um comentário sobre o momento político da época. Acho que ainda permanece válido, apesar das operações da PF terem saído do holofote e o facebook não ser tão envolvente quanto era.

FEDERAIS aconteceu uma única vez, ainda em 2017, numa edição do FERVO, que rolou na Funbox (agradecimentos grandíssimos ao grande Jaime Daniel Rodríguez Cancela, que nos recebeu tantas vez por lá!) e depois nunca mais. Gostamos do jogo, mas vieram outras coisas, prioridades e blá blá.

Por um obscurantismo do qual não me lembro, não disponibilizei o roteiro do larp. Pretendia fazer uma edição bonitona? Uma revisão de linguagem, mais acessível? A ideia era ficar escondido mesmo? Já passou.

Depois de quase 2 anos, finalmente deixo aqui o jogo, a pedido do Barba, que precisa citá-lo no seu doutorado. Causa chique.

O arquivo é o .pdf feito em 2017, usado para a realização no FERVO, sem trabalho gráfico ou ilustrações.

FEDERAIS – a chamada da pátria insultada

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Aliens em Sorocaba!

Um dos movimentos mais legais da vida de um larp – falando do ponto de vista de um criador –  acontece quando ele voa das suas mãos e se materializa pelo trabalho de outras pessoas e em outros lugares.  Quem decide organizar o larp toma o roteiro pelas rédeas, como uma partitura, e faz sua própria versão deliciada de improvisos particulares.

Dessa vez, foi o mestre (logo logo doutor) Tadeu “Barba” Rodrigues que levou os alienígenas do Andarilho para um passeio por Sorocaba. O rolê aconteceu no campus da Universidade de Sorocaba (Uniso) por ocasião de um convite feito pela professora Míriam Cristina Carlos Silva para anunciar o evangelho do larp (nas palavras do próprio Barba) numa aula de Percepção e Criatividade destinada a estudantes de Design.

No roteiro original de Andarilho, o final do larp acontece com a gravação de um áudio relatando as experiências dos alienígenas na Terra. Em Sorocaba, o hack sensacional se deu com a transformação do áudio em ilustrações!

 

Aquele abraço p/ o Barba pelo corre forte e agradecimentos à professora Míriam e a Uniso pelos portais abertos!

Os larps estão no RPG Grátis

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O RPG Grátis é um site novo que junta programas/roteiros/manuais/livros de “jogos de contar histórias de forma coletiva”: larps, story games, jogos narrativos, rpgs e sua parentela toda. Como seu sobrenome revela, todo o conteúdo lá é grátis. O rolê é simples: você navega entre categorias – status, gênero, subtipo, autor – e é direcionado para os links originais dos jogos, já disponibilizados 100% na faixa por seus autores.

Tem um número expressivo de larps meus que estão listados lá. Alguns habitam aqui nesse site, mas outros vivem flanados pela web, principalmente no site do Boi Voador. o RPG Grátis é a sistematização mais completa desses roteiros até agora!

Alguns outros autores já aparecem por lá também, como a Lívia Von Sucro, o Igor Moreno e o compa Luiz Falcão. Espero que cresça. Esse tipo de constelação sempre cabe no céu.

Manifesto do Jeitinho Brasileiro

Começou como uma brincadeira, mas como brincadeira no larp é coisa séria, o Barba escreveu.

Foi na casa do Falcão, depois de algum larp (qual?), manifestando indignação meio-verdade, meio-galhofagem com a reivindicação dos italianos sobre o “jeito sulista”. Meio alto p/ ser o sul, né não?

De jeito para jeitinho foi só um-dois. Minha principal vírgula ao parimento do manifesto foi justamente o título. Jeitinho brasileiro é um mamute semântico que, na época, não me parecia adequado tim tim por tim tim ao que fazemos. Malandragem, malemolência, gatunagem? Oportunismo, espertalhismo e ladroagem? Mal-resolvido. A reivindicação nacional anda em tempos complexos hoje. É brasileiro ou simplesmente periférico? Ser brasileiro é necessariamente periférico?

O Barba, contudo, chapou na ideia e materializou em palavras tec tec de teclado. Fez um trabalho horrorduca. As referências tupiniquins ficaram massa e juntaram bem com todas as extrapolações daquela noite.

Concordo com muita coisa do texto consolidado, particularmente o “jogar para somar” (um desenvolvimento orgânico do ultrapassado jogar para perder e tão óbvio que nos fugiu por tanto tempo) e o lance da ocupação, que aparece no ponto 5 e anda atualmente derivando e baldeando forte aqui na cabeça (Andarilho, noite escura da alma). O rolê do toque é mais uma reação do que uma postura ativa, e acho que vale mais debateboca sobre isso. Como exatamente atacamos o contato físico? Como fazemos dele ativação e jogo?

O texto do Barba, no junto do complexo, já me nasce histórico. No sentido de capítulo e marco. É o primeiro manifesto arremessado dos trópicos (1), no momento em que as espadas de espuma e as orelhas de elfos se erguem em colosso impávido nas terras do Ipiranga (2) e a iconofagia deglute o larp estrangeiro (3)  – quando o quarteirão do larp blockbuster será arrasado?

É o contraponto, o peito jogado para trás seguido do giro de quadril e a patada com o calcanhar do capoeira. É o o truco, em português, italiano e english: Ei, brasileiros, esse é o larp que importa por aqui! Ei, italianos, tem mais sul além do Mediterrâneo? Ei, friends, alguma coisa não tá podre pra cacete na social-democracia da Dinamarca?

Ah, e o trabalho gráfico do Falcão com as ilustras do J. Carlos são de torcer o rabo do bonobo também!

Andarilho aterrissando em São Paulo p/ encerrar 2018!

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2018, um ano intenso.
Arritmia constante, política escaldante, vida acachapante.
O Brasil num helter skelter de brisa errada, euforia química, bat vibes e dilatação do ego.

Um território, realmente, a ser estudado por alienígenas.

Andarilho é um larp que fiz em 2017, inspirado por Stalker, filme do russo Andrei Tarkovksy. É a história de pesquisadores extraterrestres – os tais andarilhos do título – que derivam pelas ruas terráqueas buscando compreensão da sociedade humana.

A busca do jogo é pelo olhar desnaturalizado sobre o espaço público e a sociedade. É um convite a enxergar as mesmas coisas de todos os dias com um olhar novo. Olhar alienígena. É uma provocação para não achar normal o que é normal e chafurdar nos escuros das rachaduras à procura de luzinhas novas. É bem brisa, em resumo.

É um larp de ocupação do espaço público e um larp que se mete no espaço público. Invisíveis e anônimos, os jogadores flanam e jogam disfarçados no meio das multidões.

Vai acontecer sábado 16 de dezembro, a partir das 19 horas, no Largo da Batata, em Pinheiros, do lado da Estação Faria Lima do metrô. O ponto de encontro são uns banquinhos em frente à Igreja lá do largo (Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrate). É de graça, mas recomendo levar uns trocos para um café/suco, sugeridos para o início e o encerramento do larp.