Manifesto do Jeitinho Brasileiro

Começou como uma brincadeira, mas como brincadeira no larp é coisa séria, o Barba escreveu.

Foi na casa do Falcão, depois de algum larp (qual?), manifestando indignação meio-verdade, meio-galhofagem com a reivindicação dos italianos sobre o “jeito sulista”. Meio alto p/ ser o sul, né não?

De jeito para jeitinho foi só um-dois. Minha principal vírgula ao parimento do manifesto foi justamente o título. Jeitinho brasileiro é um mamute semântico que, na época, não me parecia adequado tim tim por tim tim ao que fazemos. Malandragem, malemolência, gatunagem? Oportunismo, espertalhismo e ladroagem? Mal-resolvido. A reivindicação nacional anda em tempos complexos hoje. É brasileiro ou simplesmente periférico? Ser brasileiro é necessariamente periférico?

O Barba, contudo, chapou na ideia e materializou em palavras tec tec de teclado. Fez um trabalho horrorduca. As referências tupiniquins ficaram massa e juntaram bem com todas as extrapolações daquela noite.

Concordo com muita coisa do texto consolidado, particularmente o “jogar para somar” (um desenvolvimento orgânico do ultrapassado jogar para perder e tão óbvio que nos fugiu por tanto tempo) e o lance da ocupação, que aparece no ponto 5 e anda atualmente derivando e baldeando forte aqui na cabeça (Andarilho, noite escura da alma). O rolê do toque é mais uma reação do que uma postura ativa, e acho que vale mais debateboca sobre isso. Como exatamente atacamos o contato físico? Como fazemos dele ativação e jogo?

O texto do Barba, no junto do complexo, já me nasce histórico. No sentido de capítulo e marco. É o primeiro manifesto arremessado dos trópicos (1), no momento em que as espadas de espuma e as orelhas de elfos se erguem em colosso impávido nas terras do Ipiranga (2) e a iconofagia deglute o larp estrangeiro (3)  – quando o quarteirão do larp blockbuster será arrasado?

É o contraponto, o peito jogado para trás seguido do giro de quadril e a patada com o calcanhar do capoeira. É o o truco, em português, italiano e english: Ei, brasileiros, esse é o larp que importa por aqui! Ei, italianos, tem mais sul além do Mediterrâneo? Ei, friends, alguma coisa não tá podre pra cacete na social-democracia da Dinamarca?

Ah, e o trabalho gráfico do Falcão com as ilustras do J. Carlos são de torcer o rabo do bonobo também!

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