Não existe fim do mundo para quem já foi embora – Último dia em Antares no CCJ [22.10.2016]

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Antares explodiu. A estrela cresceu inexoravelmente e consumiu a família que buscava paz. Deitados, aconchegados, buscando afetos. Termina assim, com amor.

Depois de realizar Último dia em Antares na Residência Leste, me juntei ao Luiz Falcão para fazer a versão Boi Voador do larp. Assim como foi feito em 2015 com monstros, partimos da premissa de não alterar o enredo do jogo, mas de retrabalhar sua montagem. Figurino, sonoplastia, iluminação e cenografia seriam passados em revista, buscando potencializar certas vivências ou criar novas dimensões para os participantes.

O larp começou com uma série de exercícios preparatórios para o corpo e para o estado de espírito, desnaturalizando os gestos e buscando novas formas poéticas de expressão. A partir das sugestões dadas pelos participantes de Itaquera, acrescentamos também novos exercícios voltados para a reflexão sobre a morte.

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Os personagens foram construídos com ênfase no trabalho corporal e na relação do jogador com a roupa. Exercícios já com o figurino estimularam os participantes a sentir a modificação nos movimentos e a jogar com ela, imprimindo as características dos personagens nos próprios corpos.

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Dessa vez tivemos todos os 7 personagens em jogo e pudemos ver como os corpos mais libertos da criança e da adolescente criaram dinâmicas diferentes com o espaço e com os outros membros da família. Em Itaquera esses dois personagens ficaram de fora.

Quando os personagens estavam rascunhados, os participantes fecharam os olhos e buscaram a conexão. Ao abri-los novamente, se viram  iluminados apenas por leds azuis e na companhia de duas fracas lanternas artesanais.

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Enquanto o jogo avançava, luzes vermelhas foram crescendo progressivamente, acabando por banhar todo o espaço. Ao mesmo tempo, as cadeiras iam sendo arrastadas para dentro do espaço, diminuindo paulatinamente a área dos jogadores. As luzes azuis dos leds iam caindo e se apagando com essa movimentação. Além das cadeiras, a cenografia contou com um novelo de lã suspenso e alguns travesseiros.

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A sonoplastia também sofreu alterações significativas em relação à Itaquera, com o trabalho de sobreposição de trilhas na faixa de abertura e a inclusão de um tema de transição antes da trilha de encerramento, que foi substituída. (Aliás, o tema de encerramento foi assunto de uma boa conversa ao final do larp, sendo questionado sobre seu sentido e diálogo com a situação dos refugiados.)

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Último dia em Antares cresceu muito de uma montagem para outra. Pudemos usar um espaço com blackout, o que viabilizou trabalhar a iluminação dos canhões de luz e das lanternas. Tivemos também mais tempo para os exercícios de preparação e montagem do figurino e isso apareceu de maneira muito clara nos corpos em jogo.

Na conversa pós-larp, além da discussão sobre a música de encerramento, tivemos também um questionamento sobre a forma de sair da experiência. Foi apontado que o larp terminou de maneira abrupta e que a carga emocional construída desde a preparação pedia um processo de “volta ao cotidiano”. Como uma seta certeira. Um ponto que merece um pensamento generoso no futuro.

[todas as fotos por Luiz Falcão]

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