Materializando o fim – Residência Leste [15.9.2016]

Dia de operar finalmentes. Após quatro encontros teóricos e expositivos, de expansão das ideias e vislumbre de universos, começou o momento de traduzir para a matéria tudo que foi falado e pensado. Hora de assumir o possível e sangrar para o além. Hora de controlar as expectativas e ansiedades e dar saltos. Parece grandioso demais para um dia de colar madeiras e brincar com barbantes.

No encontro desta quinta-feira, a cenografia foi encaminhada. Antares conta com 4 elementos para criar a paisagem material de interação entre os personagens: assentamento dos refugiados, cemitério/ruínas de tempos antigos, o solo onde os personagens se movimentam e a própria estrela. Cada um tem a proposta de ser um elemento de interação corporal, indo além da mera ilustração referência do olhar. Ao mesmo tempo, a busca atravessada pela poética de Kantor é fazer desses elementos coisas em si, não representações. Nessa chave, o trabalho se pautou por pensar soluções não-realistas, não-miméticas para esses espaços.

Na duração do encontro focamos o trabalho nas experimentações com o assentamento. Testamos construções de madeira, com formatos que permitissem aos jogadores movimentos variados e incomuns. Brincamos com objetos do Espaço de Tecnologias e Artes: aros de bicicleta, barbantes, carretéis, guarda-chuvas. Um momento de livre jogo, de sentir para depois pensar. Um momento que poucas vezes tive o prazer de realizar na construção de um larp. Curti. Espero fazer isso mais vezes.

Algumas definições apareceram para além das experimentações. Antares irá expandir explodir consumir tudo a sua volta. Esse é o motivo do fim. Antares deverá traduzir isso no ambiente. Deverá crescer e tomar o espaço de ação dos participantes. Não será uma representação ilusória, como uma esfera ou projeção. Será algo mais abstrato e do tato. Um tecido que vai atravessando o espaço, restringindo os movimentos, envolvendo todos os personagens. Algo assim. O solo arenoso da ficção se torna uma superfície de contato alienígena, que desafia os pés descalços com o desconhecido. O cemitério/ruína foi menos construído, mas na cabeça ficam imagens de grandes manequins, gigantes mortos de tempos distantes. Uma referência explícita a Kantor. Não sei. Talvez.

Próximo momento é a vez do figurino. A contagem regressiva começa a formigar a barriga. Antares começa a aparecer com mais clareza. Vai ser legal. Está sendo ótimo.

*relato escrito ao som de propaganda eleitoral no rádio e impressora vomitando papéis.

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