Larp na Oficina de Teatro do Oprimido e Psicodrama da Casa Amarela

Neste domingo, 21 de setembro, o Ateliê Compartilhado – Casa Amarela abrigou a 3ª Oficina de Teatro do Oprimido e Psicodrama, espaço de investigação e troca entre essas duas práticas e de aproximações com outras linguagens. A convite do Coletivo Metaxis – nas figuras do diretor do grupo Dodi Leal e da psicodramatista Deise de Amorim Paz – dirigi as atividades do dia apresentando ao público… o larp!

Após uma fala introdutória, passamos ao lúdico. Iniciamos com Três de mim, um jogo de identidade de Matthijs Holter, tradicionalmente usado pelo Boi Voador como aquecimento nas oficinas de apresentação ao larp. Transitando amplamente entre o cômico e o emotivo, pudemos compartilhar um pouco de nós mesmos com os outros e preparar-nos para a entrega solicitada pela próxima atividade. Devido ao número de participantes, o jogo estendeu-se por mais de uma hora e meia, na qual o comprometimento e interesse do grupo manteve-se alto.

Depois de um breve intervalo com cafés e bolachas, foi a vez de Boa Noite, Queridinhas, poema de representação também de Matthijs Holter. Realizamos o jogo duas vezes, criando experiências extremamente distintas. Na primeira, tínhamos um “sistema social utópico” como o criador disposto a matar suas queridinhas, e o larp se vestiu com muitos gritos, canções e correrias. O criador era assombrado por suas obras e matava-as ora com raiva, ora com satisfação por calar suas vozes. Uma a uma, suas criações foram exterminadas – a sombra, a ilusão, o amor, a revolução – culminando no assassinato do próprio povo, último motivo do tormento vivido por essa utopia.

Já a segunda realização do jogo teve a “expressividade criativa presente no ar” como criador e desenvolveu-se menos pela fala e mais pelo movimento e pela música. Incomodado com as vozes e os corpos que insistiam em lhe seguir, o criador rapidamente matou várias de suas obras, deixando vivas aquelas que ofereciam outras formas de interação – o movimento ritmado do corpo enquanto força motriz, breves sussurros do desapego e a observação muda do silêncio.

Mesmo estas obras, contudo, acabaram sendo exterminadas, enquanto o criador dedicava-se a uma sucessão de sons vocais, misto de meditação e oração. Quando todas estavam mortas, essa expressividade criativa começou então a se despedir de cada uma delas, entoando cantigas singelas e reconfortantes, capazes até mesmo de ressuscitar algumas das queridinhas para uma dança de adeus. Esse ritual – inspirado pelas experiências do participante com a Umbanda, como viemos a saber depois – desenrolou-se por muito tempo e encheu de poesia, segurança e otimismo a partida de suas criações.

Terminado o jogo, compartilhamos as impressões pessoais e estabelecemos brevemente os paralelos e conexões do larp com o teatro do oprimido e o psicodrama. Depois de tantas vivências concentradas e afetos partilhados, encerramos o encontro com a certeza de que cada um iniciou a caminhada saindo de uma casa diferente, mas que nossa estrada é a mesma.

E depois de tanta falação, algumas fotos da oficina!

(todas as imagens por Dodi Leal)

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