Ouça no Volume Máximo em Lisboa

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Tive o prazer de conhecer João Mariano em Belo Horizonte, no Laboratório de Jogos 2014. Vindo de Portugal especialmente para o evento, João realizou uma palestra sobre as experiências de criar novos jogos (hackear) a partir do rpg Apocalipse World e vivenciou também o Jogo do Bicho, larp que organizei pelo Boi Voador junto do Luiz Falcão. Durante o LabJogos, pudemos  trocar algumas ideias sobre design de jogos, rpg e larp e entreguei para ele uma cópia do guia de aplicação do Ouça no Volume Máximo.

A novidade é que, recentemente, tive a ótima notícia de que o João realizou uma aplicação de Ouça no Volume Máximo lá em Lisboa. E, melhor ainda, escreveu sobre a experiência.

Segue abaixo o relato:

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E depois de 15 anos lá se deu o reencontro da banda já mítica de “rock progressivo”, os “Make It Loud”, da qual esta “selfie” é um registo que se tornou o próprio albúm de banda e precedeu uma campanha viral da internet com um vídeo no Youtube.

Realmente nada é mais apropriado que ver a Lara, o Pedro, o Rui, o Beto, o Jan “o Norueguês”, o Tó Zé e o “Suíças” juntos mais uma vez para “Get it Together and Make it Loud!” tocando faixas como “Evil Lets What Evil Does”, “Flying”, “Mestre de Ti”, “Bells of Tanderlon” e “Fight the Power” (não confundir com a música dos Públic Enemy… a sério… o ritmo do refrão é diferente!).

Ou como quem diz termos participado numa sessão do larp “Ouça no Volume Máximo” da autoria de Luiz Prado, e concebido dentro das pesquisas e trabalhos realizados com os grupos NpLarp e Boi Voador, onde até sete jogadores se juntam para falar sobre “separações, mágoas, arrependimentos, frustrações, culpas, vaidades e nostalgia” advindas da sua fictícia experiência conjunta como uma banda famosa que já existiu para só depois se separar.

Jogámos-o no contexto do Encontro Mensal do Grupo de Roleplayers de Lisboa e foi uma experiência bem interessante e especialmente animada. O local onde se deu o “reencontro”, uma livraria chamada Ler Devagar situada no complexo cultural LX Factory e no espaço de uma antiga tipografia (com uma gigantesca máquina de impressão e tudo), ajudou a criar um ambiente de “algo velho que se torna novo mas não sem antes deixar algumas coisas para trás”.

Poucos de nós tinham experiência (e quase toda muito recente) em LARP mas éramos constituídos por tanto quase absolutos novatos nos jogos de representação como por algum pessoal veterano nos RPGs de mesa.

Existiu logo à partida algum ímpeto do grupo para querer não só mudar ligeiramente a configuração da situação inicial tornando-a inclusiva a mais jogadores (ainda se falou em adicionar um “roadie” e “técnico de som”) como também para começar a criar detalhes da banda e dos seus elemento antes de sequer se começar a hora destinada para o efetivo “reencontro”.

Com alguma orientação do “chato de serviço” (que se auto-entitulou de “facilitador do larp”) conseguiu-se manter a estrutura proposta o que garantiu uma conversa bem acelerada e entrecortada entre os seus participantes. Nela abordou-se o flagrante de adultério atrás das cortinas de um dos grandes concertos da banda, um ato físicamente revoltante na igreja onde se deu casamento de um dos participantes, o luta pela liberdade do Tibete e espiritualidade pouco aprofundada de um dos membros ds banda e até a polémica do dinheiro nunca distribuído advindo de um anúncio horrível de detergente em que a banda participou.

A mecânica precisa das memórias, apesar de bastante sugestiva (ver títulos de música acima) e evocativa, teve que ser “relembrada” durante a sessão pois parece ter ficado pouco estabelecida no intervalo de tempo de preparação prévia. Alguns participantes sentiram-se um pouco constringidos em ter de reorientar o rumo da conversa de modo a abordar o tema designado pelo cartão. Contudo alguns dos pormenores memoráveis desta experiência foram efetivamente promovidos por esta mecânica.

Provavelmente devido ao ritmo frenético das intervenções e do entusiasmo criativo do grupo pareceu-nos, ao contrário da expetativa inicial, que a duração do reencontro se tornou cansativa e longa, especialmente nos últimos minutos. De um dos participantes surgiu a ideia da “selfie” que mantendo-se orgânica no contexto da representação dos personagens e da conversa até então reenergizou o grupo acabando assim na manobra publicitária bem aos dias de hoje e promessa garantida de ensaios semanais.

Dito isto tudo o balanço final foi bastante positivo e ficou bem definida a intenção de se jogarem mais larps quase encaixem neste molde e no contexto e espaço dos próximos Encontros Mensais do Grupo de Roleplayers de Lisboa.

Obrigado a todos os que tornaram isto possível “and as always, make it loud!”, eh eh.

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One thought on “Ouça no Volume Máximo em Lisboa

  1. Pingback: Ouça no Volume Máximo é lançado pela UNZA RPG! | Luiz Prado

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